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O desafio de elaborar um bom orçamento

Elaborar um orçamento que agrade tanto à operadora hoteleira quanto aos investidores é uma tarefa bastante difícil. Como então realizar as projeções para que fiquem consistentes e coerentes com o mercado em que o hotel está inserido?
Thais Perfeito

Este é o momento em que muitos gerentes de hotéis estão fazendo o orçamento para o ano de 2011, repensando as estratégias passadas e traçando as futuras. Porém realizar projeções que agradem tanto à operadora hoteleira quanto aos investidores é uma tarefa bastante difícil.

Para auxiliar na realização destas estimativas, segue abaixo um guia sucinto de como os orçamentos devem ser elaborados, de forma que fiquem consistentes e coerentes com o mercado em que atua:

1º Passo: Projetar o Desempenho

Para projetar o desempenho (ocupação e diária média) é necessário primeiro entender o mercado onde o hotel está inserido. Entender as perspectivas econômicas da cidade bem como as expectativas dos principais geradores de demanda para a região é fundamental na hora de projetar a demanda do mercado.

Nesse momento é importante saber se os eventos que geram grande demanda para o seu hotel irão ocorrer no próximo ano e em qual período, com o intuito de projetar a sazonalidade. Além disso, torna-se necessário conhecer os seus concorrentes e saber se existe nova oferta que possa entrar nesse mercado e dessa forma, desviar parte da sua demanda.

Com base nessas informações e no histórico do hotel, o gerente formatará a estratégia tarifária para o próximo ano e projetando assim a diária média e consequentemente a ocupação mensal.

2º Passo: Projetar as Receitas

Ao se projetar as receitas de Hospedagem e de Alimentos & Bebidas é importante estudar separadamente a receita de eventos e traçar uma estratégia destinada a este setor. Isso porque muitas vezes a ocupação das salas de eventos alavanca a venda de Alimentos & Bebidas bem como a receita de Hospedagem.

Sabendo o desempenho esperado (1º passo) e a estratégia adotada para a área de eventos é possível projetar facilmente as receitas de Hospedagem e de Alimentos & Bebidas.

Quanto às demais receitas, é importante ter em mente algumas tendências de mercado na hora de se fazer as projeções. Vemos, por exemplo, que é cada vez mais frequente os hotéis oferecerem internet cortesia aos seus hóspedes, fazendo com que esta receita tenha uma tendência de queda.

3º Passo: Projetar os Custos

Para realizar esta etapa é necessário primeiramente entender os custos fixos e variáveis, bem como sobre qual base eles variam. Saber a projeção de IGP-M e de dissídio para o próximo ano é importante na hora de projetar os custos com contratos de terceiros e com a sua folha de pagamentos respectivamente.

Nesta fase, o gerente irá estipular as ações para o próximo ano que irão reduzir custos (ex. cortes na folha de pagamentos) e aquelas que poderão gerar um aumento (ex. ações de marketing e propaganda). Entender a real necessidade de cada uma delas é fundamental na hora de apresentar e aprovar o orçamento junto aos investidores.

Vale destacar que as contas de manutenção tendem a aumentar ao longo dos anos, uma vez que a vida útil de certos equipamentos vai acabando ou os mesmos ficam obsoletos por conta da modernização. Sendo assim, é fundamental separar os gastos que fazem parte da operação hoteleira habitual e aqueles que devem ser lançados no Fundo de Reservas, e para isso, faz-se necessário um estudo à parte dos gastos bem como as projeções de arrecadações desse fundo.


Uma boa dica para quem vai realizar o orçamento é deixar a maior parte dele relacionado por meio de fórmulas, de forma que seja possível estudar diferentes cenários sem que seja necessário refazê-lo por completo.

Um orçamento bem feito é aquele realista, o qual não irá desmotivar os funcionários pela facilidade ou dificuldade em atingí-lo; e coerente, não havendo espaço para questionamentos tanto dos investidores quanto da operadora hoteleira. 

B.A. in Hospitality from SENAC São Paulo, and currently completed a post-graduation degree in Business Administration at Fundação Getúlio Vargas (CEAG/FGV). Thais started her career at Marriott in the Revenue Management sector, and she also has experience in the hotel and restaurant operational sector. Since 2005, she has been at HVS in the Hotel Asset Management division, where she is responsible for the analysis of the management of 13 hotels located in São Paulo, Rio de Janeiro, and Salvador with more than 3,000 individual owners. She has also worked on the planning and structuring of the portfolio of the Hotel Maxinvest Fund.

1 Comments

  1. Agostinho LimaSep 27, 2011

    Começo por vos agradecer muito, por estas informações tão necessárias, sobretudo para nós que aindaestamos na fase inicial deaprendizagem deplaneamento e orçamento. Eu gostariamais de obter as informações relacionadas, com passos importantes que eu devoter em geral, quanto estou a preparar um orçamento deuma instituição, um internato,deuma empresa edai por diante. eu sou um formador numa escola de formação profissional em Bissorã - Região de Oio - República da Guiné-Bissau. Mas estou com poucos conhecimentos nesta matéria técnica, a que posso transmitir para os meus formandos. Muito obrigado pela vossa atenção e é tudo por hoje. Agostinho Lima

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